Rio Quente no Reclame Aqui: a ficha é da AVIVA e o que isso muda

Plaquinha de mesa em branco virada para a frente, sobre balcão de madeira

Quem pesquisa rio quente reclame aqui costuma estar com um contrato de cota ou de clube de férias na gaveta e uma pergunta só: isso acontece com mais gente? A busca esbarra num obstáculo logo na primeira tela. A ficha da empresa no canal não se chama Rio Quente. Ela se chama AVIVA.

Esse detalhe explica por que muita gente procura, não acha e conclui que não existe registro público nenhum. Este texto mostra qual é a ficha certa, o que os indicadores dela mediam em setembro de 2026, o que a Aviva vende hoje em cota e em pontos, qual cláusula costuma estar por trás de cada assunto que se repete e o que fazer depois de reclamar.

A ficha não se chama Rio Quente, se chama AVIVA

O endereço da página no canal ainda carrega o nome antigo, rio-quente-resorts, mas o nome exibido no alto é AVIVA, e o site indicado é o rioquente.com.br. Quem digita “Rio Quente” na busca interna pode cair em páginas de hotel ou de operadora sem perceber que está lendo a reputação de outra coisa.

Aviva é o nome que o antigo Grupo Rio Quente passou a usar para reunir as suas operações: Rio Quente Resorts e Hot Park, em Goiás, o complexo Costa do Sauípe, na Bahia, a Aviva Operadora e o Aviva Vacation Club, que nasceu da junção do antigo Rio Quente Vacation Club com o Costa do Sauípe Vacation Club.

A consequência prática é uma só, e vale antes de qualquer reclamação: abra a primeira e a última página do seu contrato e anote a razão social e o CNPJ que estão ali. A marca da fachada e a empresa que assinou com você nem sempre são a mesma, e é o CNPJ do contrato que define contra quem se reclama, se notifica e, se for o caso, se processa.

O que os indicadores mostravam em setembro de 2026

Na consulta feita em setembro de 2026, a ficha da AVIVA exibia nota média de 8.2 em 10 nos últimos seis meses e ocupava o 8º lugar na categoria hotéis e acomodações. No período, foram 238 reclamações recebidas, com 98,3% respondidas, 4 aguardando resposta e 83,9% resolvidas. A nota média dada pelo consumidor ao atendimento foi 7,25, e 74,8% disseram que voltariam a fazer negócio, sobre 155 atendimentos avaliados.

Duas leituras saem daí. A primeira: 238 registros em seis meses, numa operação com dois destinos e parques, é volume de hotelaria. A maior parte do que chega a essa ficha tende a ser diária, reserva e atendimento, não contrato de cota.

A segunda: foram 155 atendimentos avaliados diante de 238 reclamações recebidas. Quem reclama, não resolve e não volta ao canal para avaliar não entra na conta do índice de solução. A nota descreve o que aconteceu dentro da plataforma, não o que aconteceu com quem saiu dela.

O que a nota mede e o que ela não mede

A reputação exibida sai de quatro indicadores: percentual de reclamações respondidas (peso 2), índice de solução, que é o percentual de consumidores que voltaram e disseram que o problema foi resolvido (peso 3), voltaria a fazer negócio (peso 2) e a nota dada ao atendimento (peso 3). A janela padrão é de seis meses e exige ao menos dez avaliações no período.

Repare no que está sendo medido: resposta, satisfação de quem voltou e disposição de comprar de novo. Nenhum dos quatro olha para uma cláusula de contrato. Uma empresa pode responder a quase tudo em poucos dias, oferecer sempre a mesma proposta de devolução parcial e manter indicadores altos, porque parte dos consumidores aceita, encerra o registro e dá nota boa. Nota alta não é sinal de que o seu contrato está em ordem.

O que a Aviva vende hoje em cota e em clube de férias

Três produtos diferentes circulam com o nome do grupo, e eles geram contratos juridicamente distintos. O Aviva Vacation Club é o clube de férias por pontos, usado nos destinos do grupo. O InCasa Private Residence Club foi inaugurado dentro do Rio Quente Resorts em julho de 2025, com 40 casas previstas, de duas a quatro suítes, no modelo fractional, em que o comprador adquire direito de uso do imóvel.

Na Bahia, o grupo anunciou a conversão de um dos hotéis da Costa do Sauípe em multipropriedade, com cerca de 8.000 cotas de aproximadamente R$ 90 mil cada, dependendo da configuração do apartamento, e valor geral de vendas estimado em R$ 700 milhões.

A primeira pergunta a se fazer, então, não é quanto você pagou, e sim o que você comprou.

Pontos e fração de imóvel não são o mesmo contrato

A multipropriedade regida pela Lei 13.777/2018, que entrou no Código Civil nos arts. 1.358-B a 1.358-U, é fração de um imóvel determinado, com matrícula e registro em cartório de registro de imóveis. O comprador vira coproprietário de uma unidade, com período fixo de uso por ano.

O clube de férias por pontos é outra coisa. Ele dá direito de uso da rede por um prazo de vigência, mediante pagamento de uma adesão e de uma taxa periódica, sem que exista fração ideal, matrícula ou escritura. O consumidor não se torna dono de nada: ele contrata um serviço de longo prazo.

Para saber qual é o seu, procure no documento as expressões fração ideal, matrícula e registro de imóveis. Se elas não aparecem, e o que aparece é “pontos”, “cessão de direito de uso” e “vigência de tantos anos”, você está num clube. O caminho da saída muda, como explicam cancelar clube de férias e distrato de multipropriedade.

O que os relatos têm em comum na venda e no uso

Os assuntos ligados a cota e a clube costumam se repetir em quatro etapas. A primeira é a venda: abordagem durante a estadia, convite para uma apresentação curta que se estende por horas, brinde ou day use condicionado à presença até o fim, e fechamento no mesmo dia, com o argumento de que a condição vale só naquele momento.

A segunda etapa é o uso, e o ponto recorrente é a agenda: alta temporada, feriado, período escolar, categoria de apartamento diferente da mostrada. O contrato trata disso em cláusula de disponibilidade e antecedência de reserva, com calendário dividido em faixas. Quem comprou pensando em escolher a data livremente comprou uma expectativa que o instrumento não assume.

A terceira é o custo recorrente. A taxa de manutenção não é valor congelado: ela é reajustada pelo critério previsto no contrato ou aprovada em assembleia, e sobe com o custo de operar o hotel. O valor citado na apresentação de vendas não é valor contratado, como mostra taxa de manutenção de cota de resort.

A etapa da saída: retenção, corretagem e devolução parcelada

A quarta etapa é o pedido de cancelamento, e é ali que os relatos mais se parecem. O pedido feito por telefone ou pelo vendedor não anda, porque a cláusula de rescisão quase sempre exige manifestação por escrito em canal definido, com prazo de análise contado do protocolo. Sem protocolo não há data, e é a data que separa o cobrado antes e depois.

Depois vem a proposta. A estrutura comum soma duas retenções, uma por despesas de comercialização e outra a título de cláusula penal, e devolve o saldo em parcelas que começam meses adiante. Antes de julgá-la, monte a base de cálculo: entrada, parcelas pagas, comissão de corretagem, taxas de manutenção quitadas e qualquer valor cobrado em boleto separado.

A corretagem é a parcela mais esquecida, porque costuma ser paga em documento próprio e, às vezes, a uma empresa diferente da vendedora. Ela entra na conta do que você desembolsou, e se ela integra ou não a base de retenção é discussão que já aparece nas decisões publicadas.

O que a resposta da empresa no canal vale como documento

O índice de resposta alto tem um lado útil para quem reclama: gera texto escrito. E a resposta pode ser três coisas que não valem o mesmo. Pode ser uma proposta, quando traz percentual, prazo e forma de pagamento. Pode ser um reconhecimento de fato, quando confirma que o pedido chegou em determinada data ou descreve o estágio da obra. E pode não ser nada, quando informa apenas que o caso foi encaminhado ao setor responsável.

A segunda hipótese é a mais valiosa e a menos percebida. Uma resposta dizendo que o pedido protocolado em tal data está em análise é um documento em que a própria empresa admite a data.

Guarde do jeito certo: salve a página inteira em PDF, com data visível, e não um print cortado. Havendo oferta, não marque a reclamação como resolvida antes de calcular, porque o encerramento costuma vir com cláusula de quitação ampla.

O que o canal não é, e o que o Consumidor.gov.br acrescenta

O Reclame Aqui é uma plataforma privada de reputação. Ele não fiscaliza, não multa, não anula cláusula e não obriga ninguém a devolver dinheiro. A reclamação não é notificação, não interrompe prazo, não constitui a empresa em mora, não impede negativação e não prova, por si só, vício do serviço. Ela prova a data em que você reclamou e o que foi respondido.

O Consumidor.gov.br tem outra natureza. É mantido pela Secretaria Nacional do Consumidor junto com os Procons, a empresa participante tem até 10 dias para responder, o consumidor tem até 20 dias para avaliar e dar nota, e o registro fica vinculado ao CNPJ do fornecedor. O próprio serviço avisa que não substitui Procon, Defensoria ou Juizados.

Há um limite a conferir antes: a adesão é voluntária, e nem toda empresa que vende cota está cadastrada. Se a razão social do seu contrato não estiver lá, o equivalente é o Procon da sua cidade, com a notificação anexada. O panorama desse caminho está em cota de resort no Reclame Aqui.

Leia também: o que as reclamações da WAM mostram, como funciona o distrato da cota e quanto a empresa pode reter pela Súmula 543.

O que as decisões publicadas têm mostrado

Reclamação mostra frequência. Decisão mostra consequência. Em Goiás, a 1ª Vara de Pirenópolis rescindiu contrato de fração em regime de multipropriedade e limitou a retenção a 10% dos valores pagos, além da corretagem, considerando desproporcional a cláusula que previa 50%, sobretudo porque o empreendimento já estava pronto e em operação (processo 5965672-52.2025.8.09.0126).

Na 6ª Vara Cível de Goiânia, o juízo concedeu tutela de urgência para suspender o pagamento das parcelas vencidas após o ajuizamento da ação de rescisão, em caso de cota adquirida por R$ 29.990, com relato de atraso de obra e restrição para agendar as datas de uso (processo 5295380-88.2026.8.09.0051).

Fora do estado, os percentuais variam com o contrato e com a prova. Em Olímpia (SP), o juízo limitou a retenção total a 25%, entendendo que somar a corretagem à cláusula penal representaria dupla penalização (processo 4000964-78.2026.8.26.0400). Em Barretos (SP), a devolução foi fixada em 80% (processo 4002858-24.2026.8.26.0066).

Nenhuma delas é súmula e nenhuma vincula outro juiz. Servem como parâmetro de negociação, e o panorama maior está em jurisprudência sobre multipropriedade.

Perguntas frequentes

Procurei “Rio Quente” no Reclame Aqui e não achei a empresa do meu contrato. Onde eu reclamo?

A ficha existe com o nome AVIVA, ainda que o endereço da página traga o nome antigo do resort. Antes de escolher onde registrar, confira no seu contrato a razão social e o CNPJ de quem assinou com você, e procure por esse nome. Reclamar na empresa errada custa tempo e não gera documento útil.

A nota da Aviva é boa. Isso quer dizer que não adianta reclamar?

Adianta, por outro motivo. A nota mede resposta, satisfação de quem voltou ao canal e disposição de comprar de novo, e nada disso avalia cláusula. Índice de resposta alto significa que o seu relato provavelmente receberá uma resposta escrita, e é essa resposta, com data, que interessa como documento.

Ofereceram devolver parte do que paguei em muitas parcelas. Aceito pelo aplicativo?

Calcule antes. Some entrada, parcelas, corretagem e taxas pagas, aplique o percentual oferecido e compare com o que as decisões publicadas têm fixado. Marcar a reclamação como resolvida costuma vir junto de termo com quitação ampla, que fecha a discussão para sempre, inclusive sobre valores que você nem somou.

Eu comprei pontos, não comprei apartamento. Dá para cancelar do mesmo jeito?

O caminho não é idêntico. No clube de férias não há fração ideal nem escritura, e a discussão gira em torno da vigência, da taxa e do que foi informado na contratação. O CDC continua valendo, inclusive o art. 49, quando a compra foi feita fora do estabelecimento comercial, dentro do prazo de sete dias.

Parei de pagar. Posso ser negativado enquanto discuto o cancelamento?

Parar de pagar sem pedido formal costuma resultar em cobrança, multa e inscrição em cadastro de inadimplentes. Existem decisões que suspenderam parcelas e vedaram a negativação durante a ação de rescisão, mas isso depende de pedido judicial e de prova. O tema é tratado em parei de pagar cota de resort.

Quando procurar um advogado

Procure orientação quando o pedido formal passou de 30 dias sem resposta, quando a devolução oferecida veio com retenção alta ou parcelada em dezenas de meses, quando a cobrança continuou depois do pedido, ou quando o nome foi para cadastro de inadimplentes. Procure também antes de assinar qualquer termo de acordo, pela cláusula de quitação.

Um advogado especialista em cancelamento de cota de resort identifica qual é o contrato em discussão, fração de imóvel ou direito de uso, lê as cláusulas de rescisão, retenção, corretagem e reajuste da taxa, calcula a base de devolução com tudo o que foi pago, redige a notificação e, quando necessário, ajuíza a ação com pedido de suspensão das cobranças.

A Monteiro e Moura Advogados atende compradores de cota de resort e de clube de férias em todo o país, e começa pela leitura do contrato e dos comprovantes.

Conclusão

Quem chega a rio quente reclame aqui está lendo informação pública, e ela ajuda desde que se saiba o que mede. Em setembro de 2026, a ficha aparecia com o nome AVIVA, nota 8.2 e alto índice de resposta, indicadores que descrevem atendimento no canal, não a validade de uma cláusula. O que os relatos repetidos revelam é o desenho dos contratos: agenda de uso por faixas, taxa reajustável, retenção somada e corretagem à parte.

Agir cedo reduz o valor em disputa. Cada contrato é um caso, e a prova define o resultado. Se quiser uma análise do seu, fale com um advogado da equipe pelo WhatsApp.

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Guilherme Monteiro

Guilherme Monteiro é advogado (OAB/RJ 242.020), sócio-fundador e CEO da Monteiro e Moura Advogados, escritório com atuação em direito bancário, gestão de passivo empresarial e proteção patrimonial. Atua também na defesa de compradores de cota de resort e multipropriedade que buscam o cancelamento do contrato.

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